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1667...
O vento sopra gélido... É madrugada ainda nos alagados do Dnieper. Aqui
e acolá finas nuvens de fumaça se elevam por sobre os telhados dos pequenos
casebres de mugiques (camponeses). O ar já cheira neve.
Um camponês que havia saído para apanhar lenha volta apressado, fecha
a porta e fala aterrorizado para sua mulher: “Burza®! A
Burza®
(tempestade) Cossaca está se aproximando!” A esposa se apercebe que
o leve rumor que ouvira a pouco, transforma-se agora num som como o
de um trovão. “São os Cossacos!”
Quando os cascos de seiscentos cavalos passam em desabrido galope, a
pequena choupana estremece. Todo o solo da estepe treme. É como se mil
demônios o sacudissem. A poderosa Cavalaria Cossaca cavalga uma vez
mais para fazer a guerra.
Cavalos e cavaleiros promovem um espetáculo de terror. Os sabres rebrilham
ao sol agora alto. Os gritos são de ódio e pavor. Os cavalos com suas
crinas eriçadas, os olhos injetados, galopam enlouquecidos, como se
a fúria de seus cavaleiros os contagiasse. Em meio à louca corrida de
um homem contra a velocidade do animal, um sabre eleva-se e, tal qual
um raio da tempestade, é lançado em direção ao solo, em enorme velocidade.
Nicolai quase parte ao meio o inimigo que perseguia.
Em uma batalha, quando a Rússia ganhava a margem esquerda do rio Dnieper,
Nicolai, um guerreiro da poderosa Cavalaria Cossaca, perdeu parte da
perna esquerda, ficando impossibilitado de montar para fazer a guerra.
Os próximos anos seriam para ele um novo aprendizado. Com grande habilidade
manual, por algum tempo freqüentou oficinas e viajou. Sempre buscando
aprender, tornou-se amigo de alguns artesãos ferreiros.
1692...
No Don, um enorme homem manco desce a rua cantando esganiçadamente.
Isto irrita a todos que ainda dormem, mas quem se atreveria a calar
o gigante Nicolai sem parte da perna mas com o soco capaz de nocautear
um cavalo?
Nicolai adentra sua oficina seguido por seu filho, Anton, “o quatro
dedos”, que logo se agarra à corda do fole. Enquanto o fole sopra o
braseiro, Nicolai retira uma cepa de aço incandescente e, enquanto molda
mais um de seus terríveis sabres, canta... O ritmo é marcado pelo malho
que seu poderoso braço brande, criando a peça desejada. Lentamente,
a grosseira cepa de aço vai se transformando em um sabre que, se bem
empunhado, continuará a obra de tantos outros, mantendo intacta a soberania
da Cavalaria Cossaca. Porém, Nicolai sabe que não por muito tempo terá
forças para moldar o aço. Algum dia, Anton, seu filho mais velho, tomará
seu lugar...
Primavera de 1701...
Anton inicia o seu dia seguindo o ritual. No malho forte e ritmado,
ele consegue traduzir a saga de seu pai, transformando gerações em cuteleiros.
2006...
Por mais de trezentos anos, os descendentes de Nicolai continuam escrevendo
a história de nossa Família na incandescência dos melhores aços, transmitindo
de pai para filho a arte de produzir o que há de melhor no mundo da
cutelaria. A 10ª geração será a primeira nascida no Brasil e a primeira
geração cuja oficina será chefiada por uma mulher.
Através de três séculos de incansável trabalho de pesquisa e evolução,
chegamos ao século XXI detentores de uma qualidade ímpar. A produção
e os tratamentos térmicos são executados dentro dos mais rigorosos padrões
técnicos e de qualidade. Porém, não admitimos que uma Burza® seja
somente um equipamento confiável. Ela deve ser bela, elegante e possuir
um gume de altíssima durabilidade. Pois as Burza® foram, são e haverão
de ser sempre o orgulho de nossa Família.
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